LOURO, JOÃO (1996) ANTÓNIO NOBRE: O SONHO DE PORTUGAL E A PROCURA DO SAGRADO. LISBOA: UNIVERSITÁRIA. DE 21X14 CM. COM 116 PÁGS. B.
PREFÁCIO: O Crepúsculo do Século XIX e o Universo Rural Mágico de António Nobre analisados por João Louro
João Louro, professor auxiliar da Universidade Autónoma de Lisboa, “mestre” em Literatura Portuguesa, especialista das correntes finisseculares da nossa poesia, decidiu-se a publicar, revista e nalguns pontos reformulada, a sua excelente tese de Mestrado.
O objecto dessa dissertação é a poesia de António Nobre, analisada com apurada sensibilidade, lúcido enquadramento histórico-cultural, como expressão agónica do fim do Século XIX, em que se cruzam e se misturam o simbolismo verlaineano e o decadentismo, marcado pela ideia de fim, pela solidão da perda de Deus e, especialmente no caso de Nobre, por algumas das linhas estéticas do neo-garretismo, como o regresso ao passado das Caravelas e às névoas sebastianistas.
João Louro trabalha muito bem a ideia do refúgio de António Nobre na infância perdida, num mundo rural maravilhoso e arcaico e a sua encenação artística, suavemente snob, da solidão e da morte. Faz, com uma inteligência muito aderente ao texto, a exegese dos mais belos e originais poemas de António Nobre, entre eles a “Carta a Manuel”, queixa contra a Coimbra de uma certa mediocridade doutoral pomposa, e exemplário de costumes e misérias mistificadas de Portugal. (…)” Urbano Tavares Rodrigues
Nota: com dedicatória do punho do autor; capa com algum desgaste.