GONÇALVES, FLÁVIO (1978) ARTE IMPORTADA E ARTISTAS ESTRANGEIROS NOS PORTOS DE ENTRE-MINHO-E-DOURO. MATOSINHOS: [S.N.]. DE 25X19 CM. COM 19 PÁGS., [4] FLS. ILUST. B.
Arte Importada e Artistas Estrangeiros nos Portos de Entre-Minho-e-Douro reúne o texto de uma conferência em que Flávio Gonçalves (1929–1987), um dos mais relevantes historiadores da arte portuguesa do século XX, analisa o papel desempenhado pelos portos do litoral de Entre-Minho-e-Douro na circulação de artistas, obras e modelos estéticos entre Portugal e a Europa atlântica. Contrariando a tradicional centralidade de Lisboa na historiografia artística, o autor demonstra que cidades como Caminha, Viana do Castelo, Vila do Conde e Porto constituíram, entre os séculos XV e XVIII, importantes focos de recepção e difusão de influências estrangeiras.
Através de exemplos de arquitectura, escultura e artes decorativas, evidencia a presença de mestres galegos, biscainhos, flamengos, italianos e ingleses, cuja actividade foi impulsionada pela burguesia mercantil, pelas confrarias e pelas instituições municipais. Defende igualmente que a prosperidade comercial das comunidades ribeirinhas favoreceu a importação de obras de arte e a assimilação de novas soluções formais, contribuindo para a renovação do gosto artístico e para a evolução da produção nacional.
Gonçalves sustenta ainda a existência de uma afinidade artística entre a Galiza e o Norte de Portugal, propondo uma leitura integrada deste espaço atlântico, cuja unidade cultural e estética permanecia insuficientemente estudada. Apesar da reduzida extensão, este opúsculo constitui uma síntese erudita e pioneira sobre as relações entre comércio marítimo, intercâmbio cultural e criação artística, permanecendo uma referência para o estudo da história da arte portuguesa da Época Moderna.
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