MEMÓRIAS DE UM ASSASSINATO EM MONTEMOR-O-NOVO

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MEMÓRIAS DE UM ASSASSINATO EM MONTEMOR-O-NOVO

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ANDRÉ, CARLOS (2017) MEMÓRIAS DE UM ASSASSINATO EM MONTEMOR-O-NOVO : JOSÉ ADELINO DOS SANTOS, RADIOGRAFIA DE UMA LUTA PELA LIBERDADE. LISBOA : COLIBRI. DE 21X15 CM. COM 75 PÁGS. B.

Os cerca de 300 manifestantes concentrados em frente da câmara municipal de Montemor-o-Novo clamavam "Queremos trabalho e pão!", quando um dos tiros disparados da varanda do edifício atingiu com precisão, na nuca, José Adelino dos Santos que, no momento se tinha voltado para falar com alguns companheiros. Um tiro que não foi obra do acaso, mas dirigido para aquele trabalhador, vigiado e perseguido pela PIDE e pela GNR, desde o início dos anos 40, e que as forças repressivas sabiam ser um dos principais organizadores do protesto.

Em 23 de Junho de 1958, na sequência da suspensão do trabalho e de uma manifestação de mais de 200 trabalhadores rurais frente à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, em protesto contra a fraude nas eleições presidenciais e reivindicando aumentos salariais, o Presidente da Câmara chamou a GNR e a PIDE que, pela força, expulsaram os manifestantes, disparando também vários tiros da varanda do edifício. José Adelino dos Santos, com a idade de 46 anos, foi assassinado pelo argento da GNR Francisco Ronge.

Foram presos mais de duas centenas de homens, muitos deles levados pela PIDE para Lisboa, a vila esteve cercada e foi imposto o recolher obrigatório.

O seu funeral, vigiado pela PIDE e pela GNR, constituiu uma impressionante manifestação popular de resistência à ditadura.

José Saramago dedicou Levantados do Chão à memória de Germano Vidigal e de José Adelino dos Santos.

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