PHÁRMAKON: DO COMBATE DA ENFERMIDADE À INVENÇÃO DA IMORTALIDADE. PORTO: CITCEM – CENTRO DE INVESTIGAÇÃO TRANSDISCIPLINAR «CULTURA, ESPAÇO E MEMÓRIA». DE 24X16 CM COM 423 PÁGINAS. B.
Phármakon: do combate da enfermidade à invenção da imortalidade — obra colectiva coordenada por Carolina Esteves Soares, Carolina Rufino, Francisco Isaac e José Malheiro Magalhães, publicada pelo CITCEM, no Porto, em Dezembro de 2018.
O volume reúne estudos de História das Ciências da Saúde que acompanham, numa perspectiva histórica, diferentes formas de compreender a doença, preservar a saúde e procurar a cura, desde as práticas médico-religiosas do antigo Egipto até às concepções contemporâneas da doença e da longevidade.
A abertura dedica-se às práticas curativas egípcias, incluindo a incubação de sonhos no templo de Hathor, em Dendera, e os objectos relacionados com a saúde física e mental. Seguem-se estudos sobre saúde, alimentação, corpo e sexualidade na Antiguidade, incluindo Plutarco, o Corpus Aristotelicum e a ginecologia romana; a epigrafia romana e o culto das divindades salutíferas na Lusitânia; e diferentes aspectos da saúde no mundo medieval, da alimentação à farmacopeia e à alquimia.
A quinta secção aborda pragas, epidemias e pestes, com estudos sobre os feridos do terramoto de Lisboa de 1755, as práticas sanitárias no Porto dos séculos XVI e XVII e a pneumónica em Montemor-o-Novo. O núcleo dedicado aos hospitais trata da assistência militar entre os séculos XVI e XIX, da saúde dos escravos, de instituições hospitalares do Porto e de Porto de Mós, da enfermagem no Hospital de Alienados do Conde de Ferreira, da evolução das radiações em saúde e da actividade da Cruz Vermelha em Moçambique durante 1916-1918.
A secção seguinte incide sobre os espaços de saúde e bem-estar, abrangendo hospitais militares, habitação e doença em Belgrado, natalidade e mobilidade urbana, cidades termais, registos cemiteriais, saúde mental nos Açores e na Madeira e ergoterapia nos hospitais de alienados portugueses.
O volume encerra com estudos que relacionam literatura, filosofia e saúde, dedicados a José Sánchez Labrador, A Farsa, Kierkegaard, Maina Mendes, Michel Foucault, Platão, Epicuro e Paul Ricoeur. Trata-se, assim, de um volume de amplo recorte cronológico e temático, particularmente documentado para a história das práticas curativas, da assistência, das instituições de saúde e das representações culturais da doença.