VEIGA, AFONSO DA COSTA DOS SANTOS (1997) LUÍS DE ALBUQUERQUE DE MELLO PEREIRA E CÁCERES: GOVERNADOR E CAPITÃO GENERAL DE CUIABÁ E MATO GROSSO. AROUCA: CENTRO DE ESTUDOS D. DOMINGOS DE PINHO BRANDÃO. DE 24X16 CM. COM 205 PÁGS. ILUST. B.
“O Autor não pretendeu traçar uma biografia do fronteiro, mas antes aprofundar e esclarecer aspectos da sua acção administrativa, procurando fazê-lo ressurgir da penumbra e do quase esquecimento a que, por diversas razões, tem sido condenado.
A execução do plano, que tomou em consideração o que já se havia escrito sobre o tema, começou por uma tentativa de reconstituição da árvore genealógica, não dos Albuquerques em geral, mas tão somente dos Albuquerques da Beira, ramo ao qual pertenceu Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres. Depois, como nenhum homem pode ser entendido se desenquadrado da sua época e das suas circunstâncias, o Autor teve a preocupação de caracterizar genericamente os tempos e os modos do personagem.
A sua nomeação, a viagem de Lisboa ao Rio de Janeiro e daí até Mato Grosso preenchem algumas páginas coloridas e vivas. Mas o núcleo fundamental do trabalho é constituído pelo longo capítulo dedicado à acção de Luís de Albuquerque como Governador e Capitão-General e, sobretudo, como Fronteiro cuja acção se tornou notável no que se refere à delimitação (e alargamento) da fronteira, à fundação de novos aglomerados e à indispensável fortificação dos lugares estratégicos.
Tratando-se de uma tarefa condicionada por tratados luso-castelhanos e, consequentemente, de grande melindre diplomático, mais meritória e relevante para o futuro se mostrou a acção e a iniciativa ousada de Luís de Albuquerque. A reconstituição das povoações e fortes fundados, a qual exigiu pesquisa minuciosa, completa meritoriamente esta parte da dissertação.
As questões relativas à fronteira, revestindo-se de excepcional importância, não esgotaram o labor profícuo do Capitão-General. A administração do território bem como o fomento económico da Capitania, na sua polivalência mineira e agro-pecuária, aparecem devidamente documentadas e comprovadas.
Finalmente, o Autor não se quis furtar a emitir uma apreciação crítica acerca do trabalho e dos resultados obtidos pelo Fronteiro ao longo da sua permanência em terras brasileiras. Embora seja perceptível a empatia que entre o historiador e o personagem se foi inevitavelmente desenvolvendo ao longo dos meses de pesquisa, parece justa e isenta a conclusão final: Luís de Albuquerque merece ser lembrado como «um obreiro português em construção de um Brasil em vésperas de se tornar na grande Nação sul-americana».
Por tudo isto, queremos deixar aqui expressa a nossa satisfação pelo resultado final do trabalho e felicitar o autor, Mestre Afonso da Costa dos Santos Veiga, pelo incansável esforço posto na pesquisa e pela preocupação de honestidade científica que marcou todo o seu itinerário.
E oxalá este estudo, ainda que despretensioso, signifique mais um passo na aproximação entre os dois povos irmãos e entre as comunidades científicas de ambos os países.”
Francisco Ribeiro da Silva (Professor Catedrático da Universidade do Porto) (Professor Catedrático Conv. da Universidade Portucalense)